domingo, 24 de abril de 2011

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
Como tem tempo, não tem pressa…

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca…

Fernando Pessoa

Vicioso ciclo de meras palavras

Meus olhos vagueiam por suas palavras com imensa atenção, como se algo sagrado ali se encontrasse.
Inveja. Sim, inveja. Queria eu, ter essa habilidade formidável de transformar o nada em palavras preenchidas; e assim, o que era nada, torna-se tudo, ou quase, nestas mãos mágicas. Esse amontoado de letras entram em cada vazio existente no corpo de todos que a leem. Então, o que era vazio em nós, transbordou; e já está vazio novamente, esperando ser enchido.
E o ciclo é vicioso, tendo origem exclusivamente na ponta dos seus lápis.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Bom conselho

"Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade"