"Criança malabarista de sinal
de bola de tênis amarela voando baixo
rolando longe no asfalto molhado
na poça vermelha do sinal fechado
Criança dessa tem o circo é dentro dela
é trapezista saltando no ar sem rede de proteção
é palhaço de si, rindo do que não há
fingindo ser ensaiada e puxada da cadeira que a derruba
a tinta na cara feito máscara que a torne personagem
e só assim capaz de aguentar esse número
Criança dessa é bailarina sem roupa nem sombrinha
se equilibrando descalça na linha fina demais da vida
o leão solto da jaula pronto para dar o bote
e ela mágico sem cartola de onde tira o truque derradeiro que a salve
Pula o leão, vai-se a criança engolida numa só bocada
De pé, o respeitável público aplaude e come amendoim"
Maria Rezende
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